Arquivo da categoria: leituras

Coração de Aço – Brandon Sanderson

Misteriosamente várias pessoas, de diferentes origens, recebem superpoderes, mas são corrompidas por eles e tornam-se vilões cruéis. Após tomarem o controle das cidades para si, eles criam uma nova realidade distópica, submetendo os humanos a uma vida de servidão. Isso aconteceu há dez anos, quando David viu seu pai ser morto por Coração de Aço, ditador de Nova Chicago. Agora, ele se dedica a estudar as fraquezas desse e de outros supervilões, planejando fazer parte do misterioso grupo dos Executores, pessoas comuns com a ousada missão de matar os tiranos um a um.

É bacana demais quando você consegue se surpreender com algo, mesmo quando a sua expectativa já estava bem alta sobre aquilo, não é? Tipo quando você tá torcendo pro seu time ganhar, mas ele aplica uma goleada no adversário. Foi mais ou menos essa sensação que tive ao terminar de ler Coração de Aço.

O livro, do autor americano Brandon Sanderson, é publicado aqui no Brasil pela Editora Aleph, que já está no meu coração pela superqualidade nos seus projetos gráficos na série Star Wars, livros de Philip K. Dick e outros lançamentos que tenho acompanhado. E com Coração de Aço não foi diferente.

Mas vamos falar da história. Como dito ali em cima na sinopse, Coração de Aço é um meio fantasia urbana / meio distopia que se passa em um futuro onde algumas pessoas (não se sabe o motivo) receberam habilidades especiais. O detalhe é que todos esses privilegiados são maus, fazendo com que se inicie um processo de brigas por territórios e escravidão dos seres humanos comuns.

E aí eu já começo a elogiar o autor. Que ideia bacana! Uma história onde só os vilões podem ser poderosos é algo muito interessante.

Já não bastava esse plot legal demais, o livro estava no meu radar bem antes do lançamento da editora, principalmente por recomendação de alguns grupos de fantasia/aventura que participo no Facebook e por amigos do Skoob (aliás, você ainda não me segue por lá? CLICA AQUI!). Nesses ambientes existe uma grande fama desse autor, principalmente por causa das séries Mistborn, Stormlight Archive e do livro Elantris. O cara é amado por geral dos amantes de fantasia.

Bom, mas como eu sou muito cético, acabei pegando o livro com certa empolgação, mas também com um pouco de receio já que tanta gente assim gostou e recomendou. Sou desses. E vou falar que o início da história me cativou muito. Como não tinha lido nada do Sanderson antes, o que me impressionou primeiro foi a fluidez com que a leitura do livro acontece.
O autor escreve fácil, sabe? As palavras vão sendo lidas com rapidez, não é complicado entender as cenas e você voa muito rápido por um capítulo completo.

Brandon Sanderson, autor.

Outro ponto que gostei bastante foi como Brandon Sanderson explora os personagens. David, o protagonista, em certo ponto do livro se reúne com um grupo de pessoas com objetivos parecidos com os dele. E cada um tem uma personalidade própria, uma origem interessante e até um jeito de falar/se portar particular. Isso mostra que o autor sabe mesmo desenvolver e te fazer crer naqueles personagens. A história fica mais rica e real para o leitor.

E depois que essa primeira boa impressão do livro e do autor passou, acabou que eu me acostumei com tudo isso e iniciei um avanço da história de uma forma mais lenta. Minha nota para ele até começou a baixar, achando que a história estava boa mas não tinha nada que me surpreendia muito em tudo aquilo. Foi aí que o danado do Sanderson me pegou.

O cara sabe finalizar uma história. Vou dizer que as últimas 50 páginas dão uma virada tão grande na sua cabeça, trazendo à tona coisas que estavam na sua cara mas você não percebeu, que instantaneamente minha nota voltou a ser a que era antes e até aumentou um pouco. O livro finaliza de forma empolgante e você fica muito a fim de continuar a história (esqueci de comentar no início, mas se trata de uma trilogia chamada Os Executores).

Resumindo: O Coração de Aço é uma história empolgante escrita por um autor muito conceituado atualmente, que mesmo com um grande hype em volta consegue te surpreender. Se você gosta de fantasia urbana e/ou distopia, vai curtir tanto ou mais do que eu. Pode ler sem medo.

Nota: 8,5/10

Guia de Uma Ciclista em Kashgar – Suzanne Joinson

91rQ3sAk9eL._SL1500_Nunca tinha ouvido falar da autora ou do livro, mas acabei encontrando em uma Bienal por um preço camarada, além de ter gostado da capa (sim, me julguem), então decidi levar.

Guia de Uma Ciclista em Kashgar conta a história de Evangeline, uma garota americana que adora andar de bicicleta e quer fazer algo diferente. A oportunidade perfeita acontece quando sua irmã e uma amiga da igreja decidem ir para uma viagem missionária em Kashgar, território chinês mas com muita influência do oriente médio. Ou seja: uma cultura totalmente diferente para três americanas.

A história se passa em uma alternância de 2 momentos, quando Evangeline e as meninas estão na viagem e quando ela já é bem mais velha, contando detalhes da viagem.

Sobre a trama, vamos ver obviamente dificuldades passadas por elas em um continente distante, momentos de tensão por divergências religiosas e políticas entre os habitantes locais e muito mais. Já falando sobre cada personagem, gostei da forma de pensar da protagonista, mas a irmã e a amiga pareceram um pouco forçadas para mim. Realmente não me identifiquei com suas personalidades.

Mesmo com esses pormenores, gostei de aprender e entender um pouco mais sobre a cultura do oriente médio, coisa que me interesso bastante, fugindo um pouco dos contextos sempre americanizados dos romances nesse estilo. É uma road trip em um ambiente de terra e pouco civilizado, ideal para uma aventura no mínimo inovadora.

Se fosse para dar uma nota para Guia de Uma Ciclista em Kashgar ela não seria tão alta principalmente pelo estilo de escrita da autora, que também achei um pouco travado em algumas partes, além de muito redundante em outros. Mas acredito que isso esteja mais próximo de gosto pessoal do que propriamente uma avaliação crítica.

Quer conhecer um local diferente e embarcar em uma viagem leve e tranquila? Pode ler Guia de Uma Ciclista em Kashgar sem problemas. É aquele livro pra pegar em uma tarde calma e relaxar na rede, só que se passando no calor de um deserto. 🙂

Herdeiro do Império – Timothy Zahn

Star-Wars-Herdeiro-do-ImperioNas palavras do próprio autor Timothy Zahn, o dia em seu agente comunicou o convite para trabalhar em uma obra no mesmo universo de Star Wars foi um dos mais loucos e especiais da sua vida. Acho que deve ser parecido com o que todo fã sente ao iniciar a leitura de um livro do universo expandido. É mágico vivenciar mais aventuras e conhecer outros detalhes de Star Wars.

Em Herdeiro do Império, primeiro livro da Trilogia Thrawn (uma das mais aclamadas pelos fãs), foi muito legal poder acompanhar mais um pouco o trio Luke, Leia e Han em uma nova aventura. Os acontecimentos se passam 5 anos após o filme O Retorno de Jedi, mas não são mais considerados cânone (parte oficial da história nos cinemas) desde que a Disney comprou os direitos de George Lucas. Por quê isso? Para que J.J. Abrams ou qualquer outro diretor que fizer os próximos filmes tenha liberdade de criação.

A história apresenta um novo vilão, o grão-almirante Thrawn, que é um gênio militar envolvido em diversas atuações do império durante o embate com a aliança rebelde.

Thrawn se mostra um ser extremamente analista e talvez até mais intrigante/perigoso que o próprio Darth Vader. Ele tem grande nível tático e através dessas habilidades acaba encontrando uma possibilidade de reerguer o império após o última derrota com o fim da segunda Estrela da Morte na batalha de Endor.

Além de encontrarmos velhos conhecidos da trilogia, também são apresentados diversos novos personagens que fazem muito bem para o universo. Mara Jade, por exemplo, é uma assassina/caçadora de recompensas que alimenta um grande ódio por Luke; o negociante Karrde, que assumiu as operações do grande Jabba, e por aí vai.

Enfim, para as descrições de leituras não ficarem longas e chatas, o que priorizo aqui no Historiada, vale fazer um resumo/impressões pra você se decidir sozinho:

Herdeiro do Império, para mim, é um livro muito bacana, que tem uma aventura intrigante e envolvente. Mais do que isso, reviver todas as coisas do universo de Star Wars já colabora muito com a experiência, principalmente para grandes fãs que esperam cada novo filme ansiosamente. É uma experiência divertida, que no mínimo vai te deixar ainda mais por dentro dos acontecimentos dos antigos filmes e te mostrar personagens muito interessantes.

Editora Aleph
472pg.

Androides sonham com ovelhas elétricas? – Philip K. Dick

androides-sonham-com-ovelhas-eletricasUm filme que marcaria a história do cinema de ficção científica estava prestes a ser lançado quando Philip K. Dick veio a falecer. Tratava-se de Blade Runner, um filme dirigido por Ridley Scott que não foi tão bem sucedido assim nos cinemas, mas que após alguns anos teve seu merecido reconhecimento, se tornando um clássico pulp.

Philip K. Dick estava extremamente empolgado com a estreia, já que esse mesmo filme era não exatamente uma adaptação, mas uma obra baseada e nascida por causa de seu livro Androides sonham com ovelhas elétricas?. Infelizmente, ele acabou não conferindo o produto final completo.

O livro conta a história de Rick Deckard, um caçador de recompensas vivendo em um futuro distópico no Planeta Terra, onde veículos voadores, cidades devastadas, androides e habitantes remanescentes convivem juntos. A maior parte da população não vive mais por aqui, foram todos transferidos para uma colônia em Marte.

A decadência do cenário é visível e identificada pela vida comum e frustrada de Deckard. Ele atualmente trabalha para a polícia local “aposentando” androides perigosos e tem, como principal sonho, a ambição de comprar um animal de verdade, algo muito incomum no mundo atual, já que sua ovelha elétrica de estimação o envergonha além de dar alguns problemas. Rick, então, vê a oportunidade de realizar seu sonho quando é chamado para neutralizar seis androides Nexus-6, os mais avançados da atualidade, utilizando um novo teste de detecção, que poderão render um bom dinheiro para comprar seu prêmio tão sonhado.

416258-philip-k-dick-philip-k-dic-k-and-ridley-scott
O diretor Ridley Scott, à esquerda, e o autor Philip K. Dick, à direita.

Este é um dos poucos livros que li após assistir ao filme, geralmente eu evito fazer isso por mais difícil que seja, mas isso acaba não importando muito. Claro que o plot das duas obras é bem parecido, mas a história e os dramas apresentados são bem diferentes.

O universo que vemos no filme retrata bem o que senti ao ler o livro. Uma Los Angeles devastada em todos os aspectos, um ambiente underground e extremamente surreal, com pessoas que acabam não possuindo mais emoções reais, já que podem alcançar tudo eletronicamente.

Rick é um personagem muito crível, tomando atitudes que você na maioria das vezes concorda, mas acho que o personagem principal do livro é o mistério. Não são poucas as vezes em que o livro apresenta um enigma quase sem saída e te impressiona depois. Não preciso dizer também que Philip K. Dick é um aclamado escritor de ficção científica de uma época áurea do gênero, mas como foi o primeiro que li do autor, e um dos poucos sci-fi que já li, não tem como não se ficar admirado com as soluções que ele dá para diversas situações.

Cena do filme Blade Runner, protagonizado por Harrison Ford.
Cena do filme Blade Runner, protagonizado por Harrison Ford.

Outra personagem interessante é Rachel, uma bela moça que é a responsável pelo desenvolvimento desses novos androides na empresa de tecnologia Tyrell, e que parece saber mais do que diz a Deckard. Os diálogos entre ambos são outra atração à parte. Aliás, os todos os diálogos do livro são muito bem trabalhados; o que também demonstra ser uma característica do autor.

A versão que li foi a republicação da Editora Aleph e, o que dizer? Está incrível como a grande maioria das coisas que a Aleph faz. Juro, eles não me pediram pra fazer essa resenha e nem me pagaram pelos elogios, mas a Aleph tem feito um trabalho primoroso há algum tempo, e este com certeza é um deles. Além de uma edição linda e bem diagramada, a publicação possui um conteúdo exclusivo: a última entrevista dada por Philip K. Dick antes de falecer, que revela muitas facetas e loucuras do autor, além da expectativa com o lançamento de Blade Runner que citei no início. A capa também é fantástica, com um design que acompanha a série de relançamentos dos livros de Dick que a Aleph fez, e que é lindo.

Cena do filme que retrata o universo de Blade Runner.
Cena do filme que retrata o universo de Blade Runner.

Recomendo Androides sonham com ovelhas elétricas? com toda certeza, não apenas para você que ama literatura de ficção científica (aliás, tenho certeza que se você é um desses já leu) mas para todo mundo que queira se aventurar no tema ou que acha meio complicado; é um livro fácil de ler, lindo, com uma história incrível e que você vai gostar, sem dúvidas. 🙂

 

Nota: 8,5/10

A Lenda de Ruff Ghanor: Vol. 1 – Leonel Caldela

1Leonel Caldela já é um escritor muito conhecido nessa parte meio nerd da literatura brasileira. Autor de livros de fantasia do rpg brasileiro Tormenta, o cara com certeza tem boa experiência e reputação entre os leitores para encarar novos desafios nesse mercado. Deve ter sido justamente por isso que Alexandre Ottoni e Deive Pazos, os criadores do site Jovem Nerd, não pensaram em nenhuma outra pessoa quando surgiu a ideia de expandir seu projeto de podcasts.

O site, muito conhecido na “podosfera” brasileira, já tinha lançado uma série de programas onde jogavam rpg com amigos em um ambiente clássico medieval de Dungeons & Dragons. O resultado foi tão bom que a ideia de contar um pouco mais sobre essa história surgiu naturalmente. E foi aí que nasceu A Lenda de Ruff Ghanor, uma série de livros que irá contar a história que antecede os acontecimentos do rpg jogado pelos nerds.

Neste primeiro livro, no reino fictício de Ghanor, a população é escravizada e flagelada por Zamir, um grande e poderoso mago que, já não bastasse essa posição, ainda é um dragão remanescente de uma antiga era de dominação. Em seu exército, hobgoblins e outros monstros são os responsáveis pela fiscalização das cidades e vilarejos, cobrando impostos e garantindo a submissão de todos pelo medo.

Ruff Ghanor é um pequeno garoto encontrado por dois clérigos do Monastério de São Arnaldo, que se encontra em mais uma dessas cidadezinhas do reino. Logo em seu primeiro contato com os religiosos, o menino revela ter algo de diferente, um poder que acaba salvando a todos e, ao mesmo tempo, demonstrando que ele pode ser a resposta do santo para salvar o povo de sua escravidão.

2
O autor Leonel Caldela.

Tenho que dizer que já conhecia a série de podcasts e, por isso, muitas coisas referentes ao universo, ambiente e mitologias da história já estavam fixas na minha cabeça. Ao mesmo tempo, mesmo conhecendo o autor pelo nome, nunca tinha pego nenhum de seus livros pra ler. Posso dizer que, mesmo com certa parcialidade por já adquirir o livro querendo gostar muito dele, ainda tinha muitas coisas a descobrir por causa do total desconhecimento da narrativa e forma de escrever do Leonel.

Mas, para minha tranquilidade, e a de todos que gostam de fantasia também, a escrita do Leonel flui muito bem. A construção de texto é muito bem cuidada, daquelas que deixam você informado mas ainda dá espaço para sua imaginação trabalhar por conta própria. Ele te dá as diretrizes e caminha ao lado dos seus pensamentos. O Leonel mostra grande conhecimento desse universo fantástico, falando a língua do seu público, como aqueles técnicos de futebol bem sucedidos porque sabem conversar com o jogador.

Os diálagos também são bem construídos, com uma ou outra coisa que considerei como “gordura” no texto, e também alguns vícios de linguagem que acho desnecessários, mas que não atrapalham em nada para uma ótima experiência literária.

Como disse, mesmo conhecendo a fama do Leonel Caldela, e isso pode ser um perigo para o caso de uma decepção, fui totalmente aberto para entender a história, mas com o critério bem alto. E ele conseguiu me surpreender.

A cada capítulo, cliffhangers vão adicionando elementos novos para que você queira pegar o próximo de imediato. Alguns plot twists também fazem sua cabeça explodir (sem querer dar spoilers, mas o final é SENSACIONAL).

Para completar, Leonel Caldela foi uma grata surpresa que vou querer acompanhar a partir de agora, não só nas continuações da história do “garoto-cabra”, como também em muitos outros projetos em que ele se aventurar. 🙂

Nota: 8,5

Compre o ebook na Amazon ou o livro físico na Nerdstore (indisponível no momento).

Se quiser conhecer a série de podcasts primeiro, aqui vão os links:
Capítulo 1: Nerdcast 251 – O Bruxo, a Princesa e o Dragão
Capítulo 2: Nerdcast 291 – O Duque, a Rosa e o Beholder
Capítulo 3: Nerdcast 341 – O Corvo, a Periguete e o Bucentauro

Leituras que não podem passar de 2014

No começo de cada ano eu tento me organizar, ou pelo menos colocar no papel, e criar uma relação de leituras que gostaria de fazer. Como todo leitor, existem muitos livros pra comprar e outros tantos já comprados, mas que devido a tempo e outras coisas eu ainda não consegui dar a devida atenção a eles.
Sempre dou preferência aos grandes clássicos, aqueles que tenho vergonha por dizer a outro amante dos livros que ainda não li. Pensando em tudo isso, acho que o resultado deu um bom apanhado de leituras obrigatórias e novidades que estão vindo por aí, mas que já estão sendo bem comentadas. Confira:

matador do rei– Série A Crônica do Matador do Rei – Patrick Rothfuss

A dificuldade de ainda não ter lidos os livros de Rothfuss é bem simples: questão de tempo. As obras são gigantescas (662pgs e 960pgs, respectivamente) e eu ainda não consegui ter tempo e coragem de encarar esse desafio. Preciso ser rápido já que o terceiro livro da trilogia está em produção e, se for lançado antes que eu tenha começado o primeiro, a situação vai ficar insustentável. De acordo com os grupos de leitores que participo, assim que começar não vou parar. Em 2014 isso vai mudar.

colecao-game-of-thrones-guerra-dos-tronos-ebooks_iZ2XvZxXpZ1XfZ135463817-473239412-1.jpgXsZ135463817xIM– Série As Crônicas de Gelo e Fogo – George R. R. Martin

A série já conta com CINCO LIVROS GIGANTESCOS, que eu ganhei todos no meu aniversário em janeiro do ano passado, e tem o sexto em produção avançada, mas confesso que é muito complicado olhar aquela pilha enorme com apenas 5 livros e tomar coragem pra começá-los. Mesmo assim, Guerra dos Tronos não pode passar desse ano pra mim. E não vai.

Screen Shot 2014-02-13 at 5.12.32 PM– O Hobbit – J. R. R. Tolkien

Apesar de a aventura de Bilbo acontecer antes da saga do Anel, sempre pareceu mais coerente para mim (e acho que para muitos outros leitores também) iniciar primeiro a trilogia antes de ler seu prequel. Como demorei para começar a ler A Sociedade do Anel e seus posteriores, O Hobbit ainda não foi apreciado. Agora que já estou terminando a trilogia, com certeza essa lacuna na minha reputação de leitor vai ser reparada no primeiro semestre do ano.

Tigana_Capa WEB– Tigana – Guy Gavriel Kay

Esse é o primeiro livro da lista que tem influência direta dos grupos de leitores de fantasia que participo. Até o ano passado, nunca tinha ouvido falar de Tigana. Porém, após alguns bate-papos por lá assim que o livro foi anunciado pela editora Saída de Emergência, muitas pessoas que já tinham lido em inglês recomendaram. Além disso, outros que já o conheciam há algum tempo se mostraram muito animados com a novidade. Resultado: entrou para minha lista desse ano.

Mago-AprendizMAGO_MESTRE_LEITORA_VICIADA– Saga do Mago – Raymond E. Feist (Aprendiz e Mestre)

Uma série que fez muito sucesso no exterior e que começou a chegar ao Brasil, também pela Saída de Emergência. Por enquanto, apenas os livros Aprendiz e Mestre foram lançados, e pelo que vi existem mais 3 sendo trazidos pela editora. A história foi originalmente lançada como uma trilogia. Ouvi boas opiniões sobre o livro e vou conferir de perto esse ano.

116459374SZ– A Corte do Ar – Stephen Hunt

Eu sempre gostei da temática steampunk mas nunca consegui encontrar uma história nesse universo que me animasse. A Corte do Ar é mais uma aposta que vou fazer, por ter ouvido algumas opiniões positivas e por ter achado incrível o projeto gráfico feito pela Saída de Emergência nesse livro. Gostei demais mesmo quando o vi na livraria. Tomara que seja tão bom quanto a aparência e, se for, vocês ficarão sabendo por aqui.

ELANTRIS_1352039060P– Elantris – Brandon Sanderson

O autor é muito conhecido lá fora entre os apreciadores de fantasia. Eu, como bom leitor do gênero, já tinha pensado há algum tempo que deveria lê-lo. Após ver a capa da editora Leya fiquei ainda mais empolgado, porque tem uma arte linda.

Entre os grupos de leitura, Elantris é uma unanimidade e nesse ano eu também vou me divertir com essa obra.

O-olho-do-mundo-FRENTE– O Olho do Mundo – Robert Jordan

Desde que foi anunciado pela Intrínseca o livro já é idolatrado. Tudo porque Robert Jordan é tipo por muitos como nada mais, nada menos que o sucessor de Tolkien. Eu, particularmente, acho uma bagagem pesada demais para se carregar, mas em duas coisas eu tenho certeza que ele se iguala ao mestre: paciência e criatividade, já que O Olho do Mundo é apenas o primeiro livro da série A Roda do Tempo, que conta com exatos QUATORZE LIVROS, cujos três últimos foram escritos por Brandon Sanderson após a morte do autor.

19841– 1984 – George Orwel

Meu gênero favorito em livros, como já deu pra perceber, sempre vai ser fantasia. E por conta disso muitos clássicos da ficção tradicional passaram despercebidos por mim. Aos poucos, juro, tenho tentado reparar também esses gaps de leitura. Nesse ano de 2014, a grande obra de George Orwell será um desses. Acho que o livro nem precisa de apresentações, né?

 

– Keeper of the Lost Cities – Shannon Messenger

Keeper of the Lost CitiesAo acompanhar alguns blogs americanos de leitura jovem, o livro chamou muito a minha atenção. Busquei saber mais e gostei da premissa, mesmo tratando-se de uma história mais infanto-juvenil. Mais uma aposta minha para esse ano que gostaria muito de ver sendo trazida ao Brasil, inclusive troquei alguns tweets com a autora que disse não ter sido procurada por nenhuma editora daqui (E AÍ, PESSOAL?). O terceiro livro de Keeper of the Lost Cities está sendo escrito por Shannon, e os dois primeiros já são sucesso nos Estados Unidos.

Bom, esses são alguns livros que quero ler neste ano. Gostou? Acha que eu estou louco por dar atenção a algum deles?

Conte nos comentários quais são os livros que você quer ler em 2014.

Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley

Me lembro até hoje da minha sensação quando emprestei de um amigo o primeiro livro de Harry Potter. Foi incrível ler toda aquela história, mitologia e fantasia criadas. Fiquei muito empolgado porque foi minha primeira experiência com uma história que se passasse em um mundo diferente, que veio da cabeça de J. K. Rowling.

Sempre que vejo entrevistas ou matérias com autores reconhecidos, é comum ver o comentário de que uma das coisas mais difíceis em escrever histórias é quando ele se vê obrigado a criar um mundo totalmente novo. Do zero mesmo. E para nós, leitores, acompanhar toda essa tragetória através do livro é sempre especial.

Ser um apaixonado por livros tem alguns pontos ruins, como se ver obrigado a comprar um lançamento, mesmo sabendo que sua fila tem quinhentos outros títulos pra ler, e que a nova aquisição vai ficar parada na estante por muito tempo. Mas também tem boas surpresas, como a de descobrir a existência de grandes clássicos e lê-los depois de tantas décadas após sua publicação.

Admirável Mundo Novo é uma distopia/ficção científica publicada por Aldous Huxley em 1932. A história traz Bernard Marx, um psicólogo que vive em Londres e que, talvez por um acidente acontecido em sua infância, não consegue concordar com a forma que o mundo se transformou e está organizado atualmente.

A história de Admirável Mundo Novo se passa centenas de anos após a ciência evoluir de tal forma que a civilização não se parece nem um pouco com o que conhecemos hoje. Lá, as pessoas são criadas em laboratório em larga escala e a sociedade é dividida em castas. As inferiores, responsáveis pelos trabalhos mais básicos, são produzidas às dezenas, sendo possível uma mesma pessoa ter outros 90 gêmeos idênticos, além de serem condicionadas desde a infância a realizar o seu papel na sociedade, não desenvolvendo senso crítico ou desejo próprio.

O Mundo Novo também não tem religião, nem tristeza. Administrada pelo “Ford”, a autoridade máxima que é adorado como um deus, a sociedade caminha mecanicamente e, quando necessário, recebe doses de soma (a droga perfeita, desenvolvida científicamente) para preencher a necessidade de relaxamento e lazer.

Outro ponto curioso em Admirável Mundo Novo é a perversão sexual, já que por ali também não existe o amor. “Todos pertencem a todos”, como diz uma das frases conhecidas pelos habitantes, ouvida milhares de vezes desde a infância para condicioná-los psicologicamente a proceder dessa forma.

Sabendo de tudo isso e não entendendo como o mundo pode mudar tanto, Bernard encara o desejo por entender o ser humano e a si mesmo, em uma crítica sobre a sociedade que foi escrita na década de 30, mas que é ainda mais atual hoje, em 2014.

Foi muito interessante descobrir o Admirável Mundo Novo junto com Bernard, Lenina e o selvagem (é assim que eles chamam as pessoas que ainda carregam velhos costumes culturais) John. Principalmente por notar e me impressionar com críticas e conhecimentos tão avançados de Huxley, ao notarmos a data da publicação do livro, que não foi reescrito nenhuma vez após seu lançamento.

Após a leitura de Admirável Mundo Novo sua percepção de mundo fica maior, seu conhecimento do ser humano também. E, além disso, a dúvida “Aonde é que vamos parar?” fica ainda mais aguçada na mente. De qualquer forma, tomara que não seja em um Mundo Novo tão pouco admirável quanto o descrito nesse livro.

Finalmente comecei a ler O Senhor dos Anéis.

Juro que não foi por mal, nem por acaso. Mas acho que um dos motivos principais de eu ter demorado tanto tempo pra consertar esse grande furo nas minhas leituras foi medo. Sim, medo de algo tão grande como é a saga e a mitologia criada por J. R. R. Tolkien. Medo de ler algo tão amado e correr o risco de não gostar.

Mas além do medo, tem outra coisa muito importante: O Senhor dos Anéis é intimidador. E ficou ainda mais após os lançamentos dos filmes, porque aí sim virou de conhecimento geral, atraindo mais fãs e difundindo ainda mais a genialidade do criador.

Para um leitor com experiência como muitos de nós, encarar a aventura de Frodo, Sam, Gandalf, Aragorn e os outros membros da Sociedade é quase que um teste de validação. Uma avaliação própria em que você irá saber no final se está pronto pra encarar e absorver obras mais densas, com escrita difícil, densa, e que muitas vezes exige além de atenção, concentração. Imersão total mesmo, já que cada linha é importante.

Eu sempre gostei de mitologias, mundo fantástico e seus exércitos de guerreiros. Tudo isso sempre me encantou demais e eu olhava para a criação de Tolkien já sabendo que iria gostar. E muitas vezes isso pode ter sido ruim, porque era tanto respeito pelo autor que eu sempre tentava encontrar o momento certo para encarar O Senhor dos Anéis. Tudo tinha que ser perfeito pra eu aproveitar cada página abarrotada de descrições, como só mesmo ele e alguns poucos são capazes de fazer.

E depois de tanto postergar essa experiência, no último trimestre de 2013 eu finalmente resolvi encarar esse desafio. Depois de milhares de páginas durante toda a vida, resolvi que era o momento e que estava preparado pra isso.

E o início foi exatamente como eu experava. Logo que iniciei A Sociedade do Anel, vivi junto com os membros da comitiva toda a dificuldade da jornada pelos caminhos da Terra Média. Foi difícil me adaptar à leitura densa, a tanta descrição contida em cada lugar/coisa/pessoa, e à ansiedade de se chegar logo a um lugar.

“Quero ver ação”, foi o que eu pensei muitas vezes, e várias outras estive a ponto de desistir. Voltava em algumas páginas ao começo pra ler novamente e até parei por algumas semanas, tomando fôlego para continuar.

Mas foi exatamente aí que a genialidade de Tolkien me pegou de surpresa, porque durante esse tempo de reflexão consegui entender um pouco mais do que o autor queria me passar como experiência, que era a questão da dificuldade, distância e da jornada. Comecei a me surpreender com a descoberta de que todo o cansaço que eu estava passando pra ler era exatamente o que o criador desejava que eu sentisse. É simples: você está viajando ao lado dos personagens.

A partir daí, outro sentimento tomou conta de mim: o desejo de persistir. E acho que esse é um dos motivos que me identifico tanto com o Gimli, um personagem que tem em sua essência, acima de tudo, o caráter imutável, a vontade de completar exatamente aquilo que tinha como objetivo desde que começou.

Neste exato momento, acabo de terminar o segundo livro da trilogia, As Duas Torres, e estou tão imerso na história que vou precisar pegar uma ou duas obras totalmente diferentes antes, pra dar um fôlego em busca dessa corrida final.

Como ainda não terminei, não tem como classificar ou dar uma nota como sempre coloco em minhas resenhas. Aliás, acho que nem é preciso. O Senhor dos Anéis já me conquistou por completo e, pra mim, essa saga está acima de um livro fantástico ou uma história surpreendente, como muitas outras obras que já li.

Na verdade, acho que esse era realmente o objetivo do mestre J. R. R. Tolkien: não te trazer mais um livro com mais uma história fantástica, mas te levar para uma viagem única, exclusiva, em uma experiência literária não apenas lida, mas vivida em cada detalhe.

Batman: A Piada Mortal – Alan Moore, Brian Bolland

Falar de um clássico é sempre difícil. Se for de A Piada Mortal, pra mim, é ainda pior. Você já deve ter ouvido falar dela, mas eu confesso que só fui parar pra ler essa hq fantástica agora, depois de adulto. E acho que toda essa demora não foi de todo ruim. Aliás, muito pelo contrário, porque me fez entender e refletir muito mais, me proporcionando uma experiência ainda melhor.

Primeiro, se você ainda não leu, precisa saber que o quadrinho escrito por Alan “Gênio” Moore e lançado em 1988 não é pra qualquer um. Não por trazer um texto difícil ou uma história mais densa, mas porque toda a trama é carregada de um peso e uma melancolia características, que se tornaram referência para muitas outras obras seguintes.

A Piada Mortal traz um enredo que foca menos no herói, o Batman, para nos relatar a origem de seu vilão mais icônico, o Coringa.

Todas as experiências vividas pelo psicótico personagem são mostradas, nos dando assim um background de como ele chegou a ser o tipo de pessoa que é hoje, revelando seus medos e descobrindo suas intenções.

Coringa tem uma certeza em sua mente: “um dia ruim na vida de um homem é a linha que separa a sanidade da loucura”. O vilão tenta então convencer a todos de seu pensamento, proporcionando ao Comissário Gordon o pior dia de sua vida.

Na versão que li, um relançamento feito pela Panini Comics, Brian Bolland recoloriu toda a revista, o que reforçou ainda mais o clima psicótico da narrativa. Dá pra sentir em cada página toda a maldade do personagem, resultando ao mesmo tempo em uma leitura forte e reflexiva.

O desenvolvimento da história é adulto e lida com temas polêmicos como estupro e violência, já característicos do vilão. Como se não bastasse tudo isso, o final faz você refletir, reler, interpretar e querer recomendar ao primeiro amigo que aparecer pela frente.

Um clássico incrível como esse não poderia receber outra nota. 5/5 com méritos, principalmente ao Alan Moore, que nos mostra uma performance em escrita de roteiro invejável, tão desenvolvida e séria que o coloca no patamar dos maiores de todos os tempos. Sem exageros.

Liberdade – Jonathan Franzen

Hoje em dia, o programa mais comentado da televisão é, sem dúvida, Breaking Bad. A série, que impactou tanta gente no mundo todo, por causa de sua trama surpreendente, tem realmente muitas qualidades. E para mim não é diferente, já que é uma das minhas favoritas atualmente.

Mas falar da história de Walter White não é só comentar sobre um iniciante do crime, que se torna o maior produtor de metanfetamina dos Estados Unidos. É, além disso, falar sobre um cidadão normal e pai de uma família tradicional norte-americana.

Um cara comum, quadrado, politicamente correto e brilhante. Essa definição cabe tanto a Walter White quanto a Walter Berglund. A semelhança entre os protagonistas do seriado e do romance Liberdade, respectivamente, vão muito além do primeiro nome.

Jonathan Franzen nos leva a uma viagem que se inicia na década de 70, onde Walter Berglund vive sua experiência acadêmica junto de um grande amigo: Richard Katz, um cara que é totalmente o oposto de seu parceiro, que se preocupa apenas com suas composições e o sonho de se tornar um rockstar.

Enquanto o nerd Walter transita sua vida entre os estudos na Universidade de Minnesota e as saídas com o amigo rebelde, para apoiá-lo em seus shows, uma promissora jogadora de basquete da universidade, Patty, cruza o caminho de ambos.

A partir daí, Jonathan retrata a história da construção e decadência de uma família, formada por Walter, Patty e seus 2 filhos, com forte participação de Richard.

Gostei muito do livro, apesar de não ser meu tipo favorito de literatura, porque o autor retrata de forma natural e profundo cada fator atenuante da história. Conforme vai se desenvolvendo, você consegue entender como cada personagem pensa, age e sente.

E é exatamente por isso que comparo o protagonista de Liberdade com o de Breaking Bad. São duas obras que conseguem traçar perfis de personagens tão humanos quanto possível, mostrando até onde uma pessoa pode ou não chegar, de acordo com seus objetivos particulares.

Walter Berglund não é um anti-herói, como é o caso de Walter White na série, mas também conseguiu me cativar da mesma forma, muitas vezes fazendo com que eu torcesse para que algo desse certo, apesar de aquilo não ser o mais correto de acordo com nosso senso comum.

Para mim foi uma grande história. Acima de tudo de como construir e demonstrar um personagem de forma profunda. Se você gosta de grandes protagonistas, cheios de humanidade e que buscam a liberdade de ser quem eles quiserem, leia Liberdade. E assista Breaking Bad.