Cem dias entre céu e mar – Amyr Klink

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Editora: Companhia das Letras Páginas: 160 – Ano: 2005

Imagine que incrível você fazer algo que nunca ninguém fez. Agora pense que, além disso, duas outras pessoas já morreram tentando essa mesma coisa. Adicione então todos aqueles perigos no mar que foram ilustrados pra você em filmes como Capitão Philips, Titanic, Piratas do Caribe, O Náufrago e As Aventuras de Pi.

Amyr Klink sabia de tudo isso na prática, porque cresceu vivenciando a cultura de navegação em Paraty, no Rio de Janeiro. E também tinha toda a pressão psicológica das pessoas que, com a falta de informações tão rápidas como temos hoje, desacreditavam da possibilidade de concretização da sua aventura, realizada em 1984. Qual era? Cruzar o Atlântico Sul a bordo de um barco a remo. Parece impressionante, né? E realmente é.

O relato de Amyr em Cem Dias Entre Céu e Mar é tão interessante quanto seu título, e consegue ser engraçado ao mesmo tempo. Tudo porque o jovem navegador, na época com 29 anos, trata de cada dificuldade e drama (como, por exemplo, capotar o barco por 3 vezes logo no primeiro dia de viagem) com maturidade. Ele realmente sabia muito bem o que estava fazendo.

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Sabedoria e informação foram as grandes armas para o sucesso de Klink nessa viagem fantástica. Em todos os momentos em que conta a preparação para o acontecimento, o autor sempre demonstra total domínio de cada circunstância, definindo que o fracasso das duas tentativas anteriores teriam acontecido única e exclusivamente por falta de análise das inúmeras possibilidades em alto mar. Para ele, os dois navegantes anteriores só não completaram seu desafio por falta de estudo.

Por isso, Amyr se preparou muito. Tirava dúvidas, entrava em contato com renomados profissionais para a construção do barco, a alimentação que realizaria durante cem dias no mar, a preparação física e, principalmente, psicológica.

Ficar sozinho por cem dias não é brincadeira. Amyr sabia muito bem disso e, justamente por temer as consequências, cuidou de cada detalhe minuciosamente.

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O resultado é um grande relato de um brasileiro admirável e, não sei bem porquê, pouco falado em nosso próprio país. A conclusão que tiro é que deveríamos sentir muito mais orgulho do que temos desse cidadão, que foi o primeiro homem a cruzar o Atlântico apenas utilizando a força dos seus braços e o vento. Sem vela.

Como disse no começo, Amyr fez algo incrível que ninguém antes conseguiu. Desafiou os desafios e oferece neste livro uma aventura tão emocionante quanto as que você já se encantou sentado no sofá ou no cinema.

Se existem lobos do mar, com certeza Amyr é um dos líderes dessa matilha.

Amyr Khan Klink, durante expedicao a Antartica.(sem data)

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