Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley

Me lembro até hoje da minha sensação quando emprestei de um amigo o primeiro livro de Harry Potter. Foi incrível ler toda aquela história, mitologia e fantasia criadas. Fiquei muito empolgado porque foi minha primeira experiência com uma história que se passasse em um mundo diferente, que veio da cabeça de J. K. Rowling.

Sempre que vejo entrevistas ou matérias com autores reconhecidos, é comum ver o comentário de que uma das coisas mais difíceis em escrever histórias é quando ele se vê obrigado a criar um mundo totalmente novo. Do zero mesmo. E para nós, leitores, acompanhar toda essa tragetória através do livro é sempre especial.

Ser um apaixonado por livros tem alguns pontos ruins, como se ver obrigado a comprar um lançamento, mesmo sabendo que sua fila tem quinhentos outros títulos pra ler, e que a nova aquisição vai ficar parada na estante por muito tempo. Mas também tem boas surpresas, como a de descobrir a existência de grandes clássicos e lê-los depois de tantas décadas após sua publicação.

Admirável Mundo Novo é uma distopia/ficção científica publicada por Aldous Huxley em 1932. A história traz Bernard Marx, um psicólogo que vive em Londres e que, talvez por um acidente acontecido em sua infância, não consegue concordar com a forma que o mundo se transformou e está organizado atualmente.

A história de Admirável Mundo Novo se passa centenas de anos após a ciência evoluir de tal forma que a civilização não se parece nem um pouco com o que conhecemos hoje. Lá, as pessoas são criadas em laboratório em larga escala e a sociedade é dividida em castas. As inferiores, responsáveis pelos trabalhos mais básicos, são produzidas às dezenas, sendo possível uma mesma pessoa ter outros 90 gêmeos idênticos, além de serem condicionadas desde a infância a realizar o seu papel na sociedade, não desenvolvendo senso crítico ou desejo próprio.

O Mundo Novo também não tem religião, nem tristeza. Administrada pelo “Ford”, a autoridade máxima que é adorado como um deus, a sociedade caminha mecanicamente e, quando necessário, recebe doses de soma (a droga perfeita, desenvolvida científicamente) para preencher a necessidade de relaxamento e lazer.

Outro ponto curioso em Admirável Mundo Novo é a perversão sexual, já que por ali também não existe o amor. “Todos pertencem a todos”, como diz uma das frases conhecidas pelos habitantes, ouvida milhares de vezes desde a infância para condicioná-los psicologicamente a proceder dessa forma.

Sabendo de tudo isso e não entendendo como o mundo pode mudar tanto, Bernard encara o desejo por entender o ser humano e a si mesmo, em uma crítica sobre a sociedade que foi escrita na década de 30, mas que é ainda mais atual hoje, em 2014.

Foi muito interessante descobrir o Admirável Mundo Novo junto com Bernard, Lenina e o selvagem (é assim que eles chamam as pessoas que ainda carregam velhos costumes culturais) John. Principalmente por notar e me impressionar com críticas e conhecimentos tão avançados de Huxley, ao notarmos a data da publicação do livro, que não foi reescrito nenhuma vez após seu lançamento.

Após a leitura de Admirável Mundo Novo sua percepção de mundo fica maior, seu conhecimento do ser humano também. E, além disso, a dúvida “Aonde é que vamos parar?” fica ainda mais aguçada na mente. De qualquer forma, tomara que não seja em um Mundo Novo tão pouco admirável quanto o descrito nesse livro.

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8 comentários em “Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley”

  1. Oie!! Desculpa pela mega demora pra vir ver seu post…
    Gostei muito da sua resenha! Mostrou bem a essência do livro! Realmente, o mais assustador é o fato de o autor ter escrito muito antes da fertilização in vitro e da clonagem existirem. As questões levantadas ao longo da história são de fritar o cérebro, né?
    beijão!!

    1. Oi Inácio.
      Nossa, sem palavras pelo sem comentário. Muito obrigado.
      Tento fazer algo legal e diferente, pra não ficar na mesmice dos outros milhares de blogs que existem por aí. Que bom que fiz a diferença pra você.
      Grande abraço!

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