Finalmente comecei a ler O Senhor dos Anéis.

Juro que não foi por mal, nem por acaso. Mas acho que um dos motivos principais de eu ter demorado tanto tempo pra consertar esse grande furo nas minhas leituras foi medo. Sim, medo de algo tão grande como é a saga e a mitologia criada por J. R. R. Tolkien. Medo de ler algo tão amado e correr o risco de não gostar.

Mas além do medo, tem outra coisa muito importante: O Senhor dos Anéis é intimidador. E ficou ainda mais após os lançamentos dos filmes, porque aí sim virou de conhecimento geral, atraindo mais fãs e difundindo ainda mais a genialidade do criador.

Para um leitor com experiência como muitos de nós, encarar a aventura de Frodo, Sam, Gandalf, Aragorn e os outros membros da Sociedade é quase que um teste de validação. Uma avaliação própria em que você irá saber no final se está pronto pra encarar e absorver obras mais densas, com escrita difícil, densa, e que muitas vezes exige além de atenção, concentração. Imersão total mesmo, já que cada linha é importante.

Eu sempre gostei de mitologias, mundo fantástico e seus exércitos de guerreiros. Tudo isso sempre me encantou demais e eu olhava para a criação de Tolkien já sabendo que iria gostar. E muitas vezes isso pode ter sido ruim, porque era tanto respeito pelo autor que eu sempre tentava encontrar o momento certo para encarar O Senhor dos Anéis. Tudo tinha que ser perfeito pra eu aproveitar cada página abarrotada de descrições, como só mesmo ele e alguns poucos são capazes de fazer.

E depois de tanto postergar essa experiência, no último trimestre de 2013 eu finalmente resolvi encarar esse desafio. Depois de milhares de páginas durante toda a vida, resolvi que era o momento e que estava preparado pra isso.

E o início foi exatamente como eu experava. Logo que iniciei A Sociedade do Anel, vivi junto com os membros da comitiva toda a dificuldade da jornada pelos caminhos da Terra Média. Foi difícil me adaptar à leitura densa, a tanta descrição contida em cada lugar/coisa/pessoa, e à ansiedade de se chegar logo a um lugar.

“Quero ver ação”, foi o que eu pensei muitas vezes, e várias outras estive a ponto de desistir. Voltava em algumas páginas ao começo pra ler novamente e até parei por algumas semanas, tomando fôlego para continuar.

Mas foi exatamente aí que a genialidade de Tolkien me pegou de surpresa, porque durante esse tempo de reflexão consegui entender um pouco mais do que o autor queria me passar como experiência, que era a questão da dificuldade, distância e da jornada. Comecei a me surpreender com a descoberta de que todo o cansaço que eu estava passando pra ler era exatamente o que o criador desejava que eu sentisse. É simples: você está viajando ao lado dos personagens.

A partir daí, outro sentimento tomou conta de mim: o desejo de persistir. E acho que esse é um dos motivos que me identifico tanto com o Gimli, um personagem que tem em sua essência, acima de tudo, o caráter imutável, a vontade de completar exatamente aquilo que tinha como objetivo desde que começou.

Neste exato momento, acabo de terminar o segundo livro da trilogia, As Duas Torres, e estou tão imerso na história que vou precisar pegar uma ou duas obras totalmente diferentes antes, pra dar um fôlego em busca dessa corrida final.

Como ainda não terminei, não tem como classificar ou dar uma nota como sempre coloco em minhas resenhas. Aliás, acho que nem é preciso. O Senhor dos Anéis já me conquistou por completo e, pra mim, essa saga está acima de um livro fantástico ou uma história surpreendente, como muitas outras obras que já li.

Na verdade, acho que esse era realmente o objetivo do mestre J. R. R. Tolkien: não te trazer mais um livro com mais uma história fantástica, mas te levar para uma viagem única, exclusiva, em uma experiência literária não apenas lida, mas vivida em cada detalhe.

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2 comentários em “Finalmente comecei a ler O Senhor dos Anéis.”

  1. Eu li “O Senhor dos anéis” 2 vezes e pretendo ler novamente…. Eu conheci a saga através de uma banda alemã chamada Blind Guradian. Essa banda lançou um álbum baseado nessa obra de Tolkien e eu fui atrás dessa viagem fantástica. Não tem como vc não se envolver…. simplesmente mergulhei na terra média e me deixei levar… como eu sempre falo: Tolkien é Tolkien e pronto!!!! Fantástico.

    1. Legal Dani.
      Tem sido impressionante essa viagem, como você mesma disse. Com certeza, vai virar tradição.

      Obrigado pelo comentário e continue acompanhando o Estação. 🙂

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